segunda-feira, 12 de agosto de 2019

28-3/ Morte Sem Despedida

28/ de Março

Outrora esta era uma morte feia, sem despedida. Morrer pode ser visto como uma passagem, pois a morte é física, e para alguns nos levará ao além.
A morte boa, sempre foi pública, e quando pressentida, aqueles que sabiam que estavam de partida queriam dividir este momento com os seus. Para as religiões existe uma continuidade além da vida. No início para o Cristianismo somente os bons voltariam no fim dos tempos, muito depois, a Igreja passou a falar do juízo final, quando os ruins seriam condenados para o inferno. Penso, que isto foi ruim para os ocidentais, porque passamos a ter medo da morte, nos apegamos muito à vida. A morte saiu do momento final, quando pressentida, e passamos teme-la durante o decorrer das nossas vidas.
O medo nos calou, não falamos sobre a morte, passamos a falar no infinito ou no pós-morte. Morte virou palavra proibida. A negação, contudo, é inútil, pois a morte é inevitável. Não que ninguém temia a morte, ao contrário, sempre foi temida, mas antes de tudo respeitada. Na passagem do cortejo fúnebre, todos paravam, tiravam os chapéus, se benziam e os sinos tocavam. Hoje não existem mais cortejos, tudo é feito para que tivéssemos a ilusão de que ludibriaríamos a morte. Hoje resta o silêncio, a morte é incomoda e suja. Não queremos nem ouvir falar da morte, desconversamos o desenganado, confiamos nos médicos e enfermeiros, para sempre tentarem novos tratamentos, mesmo quando não há mais esperanças. Pedimos o isolamento nas UTIs no momento final. Não queremos dar adeus, pois a despedida é triste e sofrida, para os que ficam e para aquele que vai.
Lembrando que em cada despedida, existe a imagem da morte

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