Dotada de boa cultura, a cigarra estava lendo um livro de fábulas onde o autor, num tom de ironia, se expressava da seguinte forma: Cigarra, você anda falando pra deus e todo mundo que você canta e encanta. Pare com essa bobagem! Sua palhaça!
Pra começar, o seu canto, além de ser enfadonho, é repetitivo e só serve para agravar ainda mais os ouvidos das pessoas ao redor; é idiotice viver cantarolando o tempo todo sem ganhar absolutamente nada e querendo se aparecer; é por isso mesmo que o gênero literário afirma ser você o símbolo de vadiagem e inutilidade.
Pra começar, o seu canto, além de ser enfadonho, é repetitivo e só serve para agravar ainda mais os ouvidos das pessoas ao redor; é idiotice viver cantarolando o tempo todo sem ganhar absolutamente nada e querendo se aparecer; é por isso mesmo que o gênero literário afirma ser você o símbolo de vadiagem e inutilidade.
A cigarra, inteligente que é, não se deu por derrotada e, diante daquilo que acabara de ler a seu respeito, soltou uma gargalhada estrepitosa e ponderou: Seu maluco. É por conta disso que sempre detestei “autores irônicos”, que além de terem memória curta, são mal-educados, caluniadores e gostam de se meter na vida dos outros. Veja bem, (cara) eu não tenho culpa de ser musicista; o talento artístico que recebi é um dom específico, especial e único. O cantar é, para mim, um gosto e não é um gosto estragado. Ao que eu saiba a cigarra é a única criatura que de antemão nasceu para viver cantando; digo ser isto um privilégio; nasci cantando e morro cantando.
Sou para Deus a voz metálica do Sol e do verão, que é a estação mais alegre e mais aguardada do ano. E, tenho o maior prazer em exibir ao vivo um verdadeiro show de minha musica (repentista) preferida, patrocinado pela mãe natureza. Shows estes que acontecem nos dias solstícios do verão.
Porém, não entendo o porquê das fábulas (nem todas) que fazem jogo sujo. Minimizam o talento artístico da cigarra e maximizam o labor da formiga.
Estas fábulas que falam mal da cigarra, no entanto, não provam as evidencias. Pergunte a formiga se ela já viu alguma vez a cigarra estendendo a mão à caridade publica, mendigando e pedindo comida? São mentiras deslavadas, que o gênero literário conseguiu passar adiante. É como diz o velho ditado: enquanto a notícia boa anda, a ruim voa; picharam tudo e agora terei que engolir.

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