O dia amanheceu chovendo, não dava para sair pra lugar nenhum e, ali na casa, todos tinham que ficar confinados. Mara, a empregada, cantarolando, fazia a faxina da casa.
Papai não parava nem na sala nem na cozinha. Mamãe ainda permanecia em seu quarto, na cama, acordada e de vez em quando resmungava.
A vida é assim mesmo. Cada dia é um dia. E não tem como mudar a exposição.
Há momentos na vida que parece que o céu baixou até nós, não é mesmo? Ficamos deslumbrados, como que flutuando, é como se estivéssemos em uma outra dimensão. Daí vem o ditado: “O que é bom, dura pouco.” E o dia de amanhã poderá ser diferente, não é verdade?
O mais importante é viver a vida dia após dia, nos momentos bons e até mesmo nos momentos difíceis. E o pior é que quando se trata de encarar os desafios, somos insuficientes a nós mesmos. Aqui neste mundo é assim: quem não for valente ou desbravador nunca será condecorado, a menos que seja com o “latão.” O ouro, a prata e o bronze são para aqueles que fazem do tempo uma escada na conquista do sucesso em busca da realização humana, seja lá em que área for.
E a chuva parou, mamãe deixou o quarto e veio para a cozinha. Notava-se que naquele momento, ela não estava de bem com a vida. Coitada. E impensadamente desabafou e, disse para a empregada: Mara, você ouviu a pouco o rádio? Não. Por quê? “É que no México o furacão varreu uma cidade inteira em apenas cinco minutos, e você leva duas horas pra varrer a cozinha?”

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